A trilha de Clima e Meio Ambiente segue entre as prioridades do 21° Congresso da Abraji, refletindo a relevância do tema para o jornalismo. Serão palestras, debates e oficinas que discutirão como transformar o clima em pauta transversal, as experiências do jornalismo independente amazônico, estratégias de combate à desinformação ambiental, impactos da transição energética e muito mais.
O evento acontece de 30 de julho a 1º de agosto no Campus Paraíso da UNIP, em São Paulo. Nesta edição, as homenageadas serão as jornalistas Fatima Souza e Vera Araújo, reconhecidas por suas trajetórias na cobertura de crime organizado e segurança pública. Fundador da Abraji, o jornalista Marcelo Beraba será homenageado em uma sessão especial que marca um ano de sua morte.
Um dos destaques da trilha de meio ambiente e clima será a palestra "Clima depois da COP: como transformar urgência em rotina editorial", que discutirá como manter a cobertura climática na agenda diária, cobrar de governos e empresas o cumprimento de planos e metas, garantir financiamento contínuo para a cobertura e superar resistências internas para integrar o tema a todas as editorias. Participam da mesa Sônia Bridi (repórter especial na TV Globo), Valéria Oliveira (repórter do g1, em Roraima, e do Projeto Defensores Ambientais) e Paula Bianchi (editora na Repórter Brasil e diretora da Abraji), como mediadora.
A programação também inclui um debate sobre clima e geopolítica. Com mediação de Claudio Angelo (coordenador de política internacional do Observatório do Clima), a mesa reunirá Daniela Chiaretti (repórter especial do Valor Econômico) e Jonathan Watts (idealizador da Sumaúma e correspondente do The Guardian) para analisar as mudanças na geopolítica global tendo, como pano de fundo a crise, climática e discutir temas que estarão cada vez mais no foco dos jornalistas, como minerais críticos e transição energética.
A trilha traz ainda o lançamento do “Manual de Redação Indígena: o jornalismo a partir dos povos originários”, da Abrinjor (Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas), com Helena Corezomaé (conselheira Abrinjor e jornalista na OPAN), Jamille Mura (analista de engajamento no WWF Brasil), Ykaruní Nawa (especialista em indigenismo na Funai e coordenador-geral na Abrinjor) e Tainã Mansani (jornalista e idealizadora do projeto Mapa da Mina). A palestra discutirá linguagem, representação e ética na cobertura de pautas indígenas.
Na mesa de “Excelência Abraji”, com o tema corrupção e crimes ambientais, jornalistas apresentarão os desafios, métodos e processos de construção de matérias ambientais investigativas. Sob mediação de Ana Beatriz Assam (editora da Global Investigative Journalism Network - GIJN), participam: Bruno Abbud (jornalista freelancer), Karla Mendes (repórter investigativa da Mongabay e membro da diretoria da Society of Environmental Journalists - SEJ) e Paulo Saldaña (repórter na Folha de S.Paulo).
Entre as oficinas, Fábio Bispo (jornalista na Sumaúma) e Lucas Maia (diretor de tecnologia da Agência Tatu) apresentarão como utilizar o geojornalismo como método investigativo para a cobertura de crimes ambientais e das mudanças climáticas na Amazônia. O painel se divide em uma base teórica, sobre método e bases de dados, e uma parte prática, com uso do QGIS aplicado ao jornalismo investigativo.
Já na oficina “Explorando o Diários do Clima: ferramentas para investigações jornalísticas ambientais”, os jornalistas aprenderão a navegar pela plataforma, utilizar filtros e extrair informações relevantes para suas investigações. A oficina terá uma etapa prática, com exercícios para explorar as funcionalidades do Diários do Clima de forma interativa. A atividade será ministrada por Flávia Campuzano (coordenadora de novos negócios na #Colabora) e Maristela Crispim (diretora-executiva e cofundadora da Eco Nordeste).
E, pelo terceiro ano consecutivo, participantes do Congresso interessados pelo tema do clima e meio ambiente poderão se associar, por um preço único, tanto da Abraji quanto da SEJ (Society of Environmental Journalists), associação norte-americana de jornalismo ambiental. Confira a promoção Abraji/SEJ neste link.
Confira a programação completa da trilha “Clima e meio ambiente”
Quinta-feira, 30 de julho
09:30 - 11:00 | Palestra: Clima depois da COP: como transformar urgência em rotina editorial
Palestrantes: Sônia Bridi (repórter especial na TV Globo) e Valéria Oliveira (repórter do g1, em Roraima, e do Projeto Defensores Ambientais)
Mediação: Paula Bianchi (editora na Repórter Brasil e diretora na Abraji)
Local: Auditório | 3º andar
Com o fim da COP, a crise climática não entra em hibernação. A adaptação já impacta orçamento, obras, saúde, moradia e infraestrutura — e precisa virar eixo transversal nas redações. A mesa discute como manter clima na agenda diária, cobrar planos e metas de governos e empresas, viabilizar financiamento contínuo da cobertura e superar resistências internas para integrar o tema a todas as editorias.
11:30 - 13:00 | Debate: Clima e geopolítica num mundo pós-ruptura
Palestrantes: Daniela Chiaretti (repórter especial do Valor Econômico) e Jonathan Watts (idealizador da Sumaúma e correspondente do The Guardian)
Mediação: Claudio Angelo (coordenador de política internacional do Observatório do Clima)
Local: Sala 5 | 3º andar
O que está por trás da vontade de Donald Trump de anexar a Groenlândia? Por que a tentativa de incluir um planejamento para o fim gradual dos combustíveis fósseis naufragou em Belém? E por que a China, maior produtora de energia renovável do mundo, se opõe às taxas de ajuste de fronteira da Europa para produtos de alto carbono? Este painel vai analisar as mudanças na geopolítica global tendo como pano de fundo a crise climática, e trazer assuntos que estarão cada vez mais no prato dos jornalistas, como minerais críticos e transição energética.
Sexta-feira, 31 de julho
09:30 - 11:00 | Palestra: Descolonização da pauta climática na Amazônia: as experiências do jornalismo independente amazônico na cobertura da COP30
Palestrantes: Felipe Corona (colaborador no Voz da Terra), Isabelle Maciel (cofundadora do Tapajós de Fato) e Stefano Wrobleski (diretor-executivo na InfoAmazonia)
Mediação: Adison Ferreira (diretor de jornalismo da agência Carta Amazônia)
Local: Sala 4 | 3º andar
A mesa propõe discutir como o jornalismo independente da Amazônia subverteu a lógica da cobertura tradicional sobre a pauta climática na região durante a COP30. Através da experiência de veículos locais, discutiremos como olhar baseado no território impacta a percepção sobre a Amazônia. A proposta tem o objetivo de evidenciar o impacto do jornalismo independente nas narrativas sobre a região e discutir os desafios enfrentados pelos comunicadores locais Entre as perguntas norteadoras da mesa estão: Como descolonizar a pauta climática na Amazônia?
11:30 - 13:00 | Palestra: De costas para o mar: por que o oceano ainda não virou manchete no Brasil
Palestrantes: Ademilson Zamboni (diretor-geral da Oceana Brasil) e Bernardo Esteves (repórter na revista piauí)
Mediação: Jéssica Maes (repórter e editora-assistente de ambiente na Folha de S.Paulo)
Local: Sala 1 | 3º andar
O oceano cobre mais de 70% do planeta e pode fornecer até 47% das reduções necessárias de gases de efeito estufa até 2050 para evitar que o planeta aqueça 2 °C. Porém, mesmo com papel central para enfrentar a crise climática, poucos jornalistas já mergulharam nesse universo de pautas relevantes e investigações sobre temas como sobrepesca, degradação dos ecossistemas marinhos e a poluição plástica.
Nessa mesa, especialistas e setoristas na área vão discutir como políticas públicas recentes (e outras ainda ausentes) impactam, na prática, a capacidade de restaurar a saúde do oceano, quais são os efeitos diretos disso para a sociedade brasileira e quem ganha e quem perde com essa situação. Também darão dicas sobre como o jornalismo pode integrar o oceano à cobertura política de forma transversal, principalmente durante as eleições.
14:30 - 16:00 | Palestra: Mesa de Excelência Abraji: Corrupção e crimes ambientais
Palestrantes: Bruno Abbud (jornalista freelancer), Karla Mendes (repórter investigativa da Mongabay e membro da diretoria da Society of Environmental Journalists, SEJ) e Paulo Saldaña (repórter na Folha de S.Paulo)
Mediação: Ana Beatriz Assam (editora da Global Investigative Journalism Network (GIJN))
Local: Sala 4 | 3º andar
A Abraji, com o apoio da Transparência Internacional Brasil, apresenta os trabalhos vencedores do edital Excelência Abraji, que premia as grandes reportagens que se destacaram pela apuração aprofundada e impacto social.
"Tubarão ameaçado no prato"
Karla Mendes, Philip Jacobson e Kuang Keng Kuek Ser – Mongabay Brasil (abrange múltiplos estados)
"Clã que comanda 2 prefeituras em AL desvia verba da educação para trator e arena de vaquejada"
Paulo Saldaña – Folha de S. Paulo (AL)
"Ouro, escavadeiras e fuzis: como facções e milícias dominam garimpos clandestinos na Terra Indígena Sararé"
Bruno Abbud – Infoamazonia e Amazon Underworld (MT)
16:30 - 18:00 | Palestra: Estratégias de combate à desinformação ambiental
Palestrantes: Gisele Lobato (editora no Intercept Brasil) e Marcela Maria Martins (coordenadora de programas em Climate Tracker América Latina)
Mediação: Rafael de Pino (gerente de operações da FALA)
Local: Sala 2 | 3º andar
A mesa discute como identificar narrativas enganosas, rastrear financiadores e redes de influência, qualificar a checagem de dados científicos e fortalecer estratégias editoriais que combinem rigor, clareza e impacto público.
16:30 - 18:00 | Palestra: Manual de Redação Indígena: o jornalismo a partir dos povos originários
Palestrantes: Helena Corezomaé (conselheira Abrinjor e jornalista na OPAN), Jamille Mura (analista de engajamento em WWF Brasil) e Ykaruní Nawa (especialista em indigenismo na Funai e coordenador-geral na Abrinjor)
Mediação: Tainã Mansani (jornalista e idealizadora do projeto Mapa da Mina)
Local: Sala 1 | 4º andar
O lançamento do Manual de Redação Indígena da Abrinjor será um espaço de encontro, troca e articulação entre jornalistas, comunicadores indígenas, pesquisadores e estudantes. A atividade propõe discutir linguagem, representação e ética na cobertura de pautas indígenas, além de apresentar as contribuições do manual para o jornalismo brasileiro. Também será uma oportunidade de networking e fortalecimento de redes entre profissionais comprometidos com narrativas mais diversas e plurais.
Sábado, 01 de agosto
09:30 - 11:00 | Oficina: Geojornalismo como Método Investigativo: dados geoespaciais no centro da cobertura de crimes ambientais e da crise climática na Amazônia
Palestrantes: Fábio Bispo (jornalista na Sumaúma) e Lucas Maia (diretor de tecnologia da Agência Tatu)
Local: LAB 6 | 15º andar
A sessão apresenta o geojornalismo como método investigativo central para a cobertura de crimes ambientais e das mudanças climáticas na Amazônia. Fenômenos territoriais, cumulativos e interdependentes ainda são tratados de forma fragmentada pelo jornalismo, com mapas usados apenas como ilustração. A proposta demonstra como dados geoespaciais podem orientar investigações desde a pauta até a narrativa final. A atividade se divide em uma base teórica, sobre método e bases de dados, e uma parte prática, com uso do QGIS aplicado ao jornalismo investigativo.
09:30 - 11:00 | Palestra: Da mineração de terras raras no Cerrado às eólicas na Caatinga: como investigar o impacto da transição energética
Palestrantes: Marta Salomon (especialista sênior em políticas climáticas), Milagros Salazar (fundadora e diretora da Convoca) e Paula Bianchi (editora na Repórter Brasil e diretora na Abraji)
Mediação: Afonso Bezerra (repórter e apresentador na Rádio Brasil de Fato)
Local: Auditório | 4º andar
A corrida por minerais críticos e a expansão acelerada de usinas eólicas e solares têm sido apresentadas como sinônimo de progresso e sustentabilidade. Mas o avanço desses empreendimentos sobre o Cerrado e a Caatinga, entre outros biomas, revela um outro lado da transição energética: desmatamento, conflitos fundiários e impactos sobre povos tradicionais e unidades de conservação. E isso não é exclusividade do Brasil: da mineração de lítio nos Andes às disputas por terra pela dita energia limpa em outros países da região, a América Latina tem sido foco da transição energética, mas com regras bastante diferentes das aplicadas ao norte global. Essa mesa vai reunir jornalistas e pesquisadoras que atuam na linha de frente dessa cobertura em diferentes países para discutir como investigar os impactos negativos de empreendimentos de energia renovável e da mineração de insumos essenciais para a produção de energia renovável e de baterias, além de explicar as salvaguardas possíveis para contê-los.
11:30 - 13:00 | Oficina: Explorando o Diários do Clima: ferramentas para investigações jornalísticas ambientais
Palestrantes: Flávia Campuzano (coordenadora de novos negócios na #Colabora) e Maristela Crispim (diretora-executiva e cofundadora da Eco Nordeste)
Local: LAB 6 | 15º andar
Esta oficina tem como objetivo capacitar jornalistas no uso da plataforma Diários do Clima, que agrega dados de políticas ambientais para auxiliar na pesquisa de atos publicados por municípios. Os participantes aprenderão a navegar pela plataforma, utilizar filtros e extrair informações relevantes para suas investigações. Serão discutidas estratégias para integrar esses dados em reportagens investigativas, ampliando a cobertura de questões ambientais locais. A oficina terá uma etapa prática, com exercícios para explorar as funcionalidades do Diários do Clima de forma interativa.
16:30 - 18:00 | Palestra: De olho no Cerrado: jornalismo investigativo no bioma mais ameaçado do Brasil
Palestrantes: Felipe Sabrina (repórter freelancer do Intercept Brasil) e Fernanda Lourenço (editora-chefe em Ambiental Media)
Mediação: Raphael Pontes (editor digital do Grupo Jaime Câmara e editor-chefe do Jornal do Tocantins (JTo))
Local: Auditório | 4º andar
O Cerrado, berço das águas do Brasil e savana mais biodiversa do planeta, chegou a um ponto crítico. Dados recentes mostram que o bioma já perdeu mais da metade de sua cobertura vegetal original, com a vazão de alguns de seus rios reduzida em 27% nas últimas décadas, segundo dados da Ambiental Media, numa trajetória de destruição impulsionada pela expansão do agronegócio.
Esta mesa se propõe a discutir os desafios específicos para a cobertura jornalística do Cerrado e iluminar as complexas dinâmicas de desmatamento, grilagem de terras e conflitos agrários que marcam a região. O debate focará nas ferramentas, técnicas e estratégias para uma cobertura ambiental de alto impacto, capazes de conectar as realidades locais do Cerrado a temas globais como a crise climática e a segurança alimentar e hídrica.
Trilhas temáticas
Como escolher suas trilhas favoritas? Basta acessar a programação do Congresso, clicar na opção do menu “Todas as trilhas” e selecionar “Clima e meio ambiente” ou outras opções, como: América Latina; Audiência, Produtos e Formatos; Corrupção; Dados; Democracia e Eleições 2026; Estudos em jornalismo; Financiamento, Gestão e Empreendedorismo; Proteção e segurança e Tecnologia e Inteligência Artificial.

Desta forma, você tem a liberdade de organizar a sua agenda de atividades do evento conforme o interesse no assunto. Cerca de 100 atividades estão previstas em toda a grade de programação, incluindo lançamento de livros, cerimônia de homenagem e o XIII Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.
Patrocinadores
Os patrocinadores desta edição estão divididos em cinco categorias.
Saiba quem são os patrocinadores, apoiadores e parceiros que tornaram o 21º Congresso possível.
Diamante: Google, TikTok
Platina: Transparência Internacional - BR (TI-BR)
Ouro: Agence Française de Développement (AFD), Globo, Jusbrasil
Prata: Alma Preta, Itaú
Bronze: Abracom (Associação Brasileira das Agências de Comunicação), Agência Pública, Amado Mundo, Instituto Sou da Paz, JSK Stanford, Oceana, piauí, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Todos pela Educação
O evento conta ainda com o apoio institucional das organizações: CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), IACC (Conferência Internacional Anticorrupção), Instituto Talanoa, ITS Rio, Jornalistas & Cia, Projor, Posit, Transparência Internacional.
Parceria de Inclusão e Diversidade: Basília Rodrigues, Eficientes, Fundação Lemann, Instituto IDEM, YouTube.
Parceiros: Agência Mural, Airalo, Babushka, Jet Brasil Patinete, Jota Júnior, Núcleo Jornalismo, Oboré, SEJ, Textual/DiversaCom.
Organizações interessadas em patrocinar o 21º Congresso da Abraji e colocar sua marca junto ao mais importante encontro de jornalistas do Brasil podem solicitar mais informações pelo e-mail: [email protected]
Serviço
21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji
Local: Campus Paraíso da UNIP - Universidade Paulista
Endereço: Rua Vergueiro, 1.211 - Paraíso - São Paulo
Data: 30 de julho a 1º de agosto de 2026
Mais informações: congresso.abraji.org.br
FAQ: https://congresso.abraji.org.br/faq
Crédito da foto: mantaphoto/Getty Images Signature