A experiência recente da operação Lava Jato trouxe grandes reportagens, mas também deixou questionamentos sobre a dependência excessiva de acusadores e a publicação de informações ainda não comprovadas. As transformações na apuração jornalística e os aprendizados do setor após esse período são o tema da mesa "O jornalismo aprendeu com a Lava Jato? Delações, vazamentos e o risco da reportagem por procuração". O encontro foi realizado no 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji e pode ser assistido, gratuitamente, na versão online do evento.
O debate reuniu profissionais com intensa atuação na cobertura de política e bastidores do poder: Aguirre Talento, repórter de O Estado de S. Paulo, e Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da Rádio CBN. A mediação foi conduzida por Camila Mattoso, como diretora do SBT News. Juntos, os jornalistas analisaram a evolução dos critérios editoriais e os riscos de reportar narrativas produzidas por colaboradores interessados em benefícios judiciais.

Mesa "O jornalismo aprendeu com a Lava Jato? Delações, vazamentos e o risco da reportagem por procuração". Crédito: Leticia Demary / Ateliê Selva
Durante a conversa, Aguirre Talento reforçou as dificuldades da cobertura na época: “Aprender a cobrir a Lava Jato foi muito difícil, foi um turbilhão de informações”.
Bela Megale acrescentou, ao comentar a competição entre os veículos para assegurar a exclusividade: “Muitas vezes, mesmo tendo esse debate ético, os jornais chegaram até a publicar as propostas porque havia uma pressão grande para dar o furo”.

Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da Rádio CBN. Crédito: Leticia Demary / Ateliê Selva
A cobertura completa dessa discussão já pode ser acessada. O conteúdo foi elaborado pela Redação Laboratorial do Projeto Repórter do Futuro, fruto da parceria entre a Oboré e a Abraji, produzida por estudantes, recém-formados e jornalistas que registraram os bastidores e os principais pontos do encontro.
Acesse a cobertura completa do 21° Congresso aqui
Embora as atividades presenciais do 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo tenham chegado ao fim, o Congresso Online permanece acessível gratuitamente até o final de setembro. A inscrição não tem custo e libera a visualização de todas as mesas gravadas. Os participantes que assistirem a 70% ou mais da programação online receberão o certificado oficial. Para assistir à gravação e ler a cobertura da Oboré, basta acessar o site oficial do evento e se inscrever.
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*Crédito foto de capa: Leticia Demary / Ateliê Selva