Como cobrir tragédias e traumas de forma humana e sem ceder ao sensacionalismo? Pedir a uma fonte que reviva uma dor extrema ou extrair histórias marcantes em meio a catástrofes é um dos maiores desafios do jornalismo. O debate sobre como resistir à pressão por velocidade sem atropelar princípios éticos e sem atuar de forma predatória é o tema central da mesa "Reportando a dor do outro: ética, técnica e cuidado".
A atividade reuniu Cristina Serra, apresentadora na TV Brasil, e Flávia Cintra, repórter do Fantástico, na TV Globo, sob a mediação da jornalista freelancer Flávia Mantovani. As jornalistas compartilharam técnicas de abordagem, dilemas profissionais e os limites entre o interesse público e a privacidade das vítimas.

Crédito: Leticia Demary / Ateliê Selva
Flávia Cintra, primeira repórter cadeirante da TV Globo, destacou ser comum que o repórter se solidarize, e até mesmo se identifique, com suas fontes para além do profissional. “Eu fiz reportagens contando a história dessas mulheres com deficiência. E como eu escuto essas histórias, me conecto com essas mulheres sem me envolver e levar para a minha vida? Eu preciso confessar que muitas vezes eu simplesmente não consigo”, afirmou.

Crédito foto de capa*: Leticia Demary / Ateliê Selva
Entre as reflexões e aconselhamentos das jornalistas, Serra ressaltou: “Você não pode estar no meio da entrevista conversando com a pessoa e ser interrompida pelo operador de áudio dizendo ‘vamos começar tudo de novo, porque o áudio não foi captado’. A pessoa abriu o coração sangrando diante de você, é inviável pedir para que ela repita tudo por um problema técnico”.
A cobertura completa dessa atividade já está disponível para leitura no eixo temático "Democracia, eleições e corrupção" no site oficial da Redação Laboratorial do Projeto Repórter do Futuro. A iniciativa foi coordenada pela OBORÉ em parceria com a Abraji, integrada por estudantes, recém-formados e jornalistas.
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A programação presencial do evento já terminou, mas o 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo Online segue disponível gratuitamente. A inscrição é totalmente gratuita e garante acesso, até setembro, a todas as gravações do evento. Quem acompanhar pelo menos 70% da programação online também terá direito ao certificado de participação. Faça sua inscrição no site oficial e acesse a cobertura no portal da OBORÉ para conferir o debate na íntegra.
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Crédito foto de capa*: Leticia Demary / Ateliê Selva